terça-feira, 29 de março de 2011

Asas angelicais

Me encontro defronte à um penhasco,

Bato suavemente minhas asas,

Como uma forma de assegurar que elas não irão falhar.

Somente um passo me afasta do abismo,

Um passo que receio dar.


Teria dois destinos possíveis,

Ou voaria dali na liberdade utópica,

Ou cairia e seria engolido pela escuridão.

Mas, como tudo na vida,

Precisamos arriscar.


Calmamente busco inspirar o máximo possível,

Estico minha perna e balanço levemente meu corpo à frente.

Não penso, simplesmente me deixo levar,

Começo a cair, mas não consigo voar.


Estaria eu condenado? Seria abandonado justo nesse momento?

Tentava com força colossal voar, ou ao menos pairar.

Mas nada acontecia, só era cada vez mais engolido pelas trevas.

Toda minha vida passou em minha mente,

Eu não desistia, continuava a luta de forma persistente.


Sem mas nenhuma luz ao meu redor, caia cada vez mais rapidamente,

Mas não iria morrer ali, não era esse meu momento,

Com uma explosão flamejante, com um uivo estridente,

Abri ao máximo asas brancas e enormes,

E superei a escuridão.


Das trevas fui à penumbra,

Da penumbra ascendi à claridade.

Me sentia um anjo quando era uma mera gaivota,

Me senti especial quando era comum,

Meu coração palpitava, sentia a terra estremecer.

Depois das trevas infinitas da noite

Sempre desperta um novo amanhecer.

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